Um Encontro
Um encontro, nem sei ao certo. Só sei que me sinto sozinha em meu antro, quarto escuro, sobrevivendo de migalhas da vida que ainda me resta com os ratos a passarem céleres por dentre minha alma suplicante de desejos vãos.
Nem sei ao certo o que faço aqui. Apenas percebo que nas sombras encontro-me comigo mesma. Dilacerada procuro ansiosamente o término da cruz que carrego sem saber ao certo o porquê. E por entre abismos sem fim procuro incessantemente a razão de ser.
Ouso aventurar-me no silêncio da multidão solitária que me invade e corrói-me por inteira. Almejo o que nunca conseguirei alçar as alturas, navegar célere por dentre nuvens, flocos de neve a pairar por dentre meus olhares lânguidos.
O tempo urge e nada mais posso fazer a não ser naufragar num oceano sem fim, capitã duma nave tresloucada e, alienada, pedindo paz. Ainda temerosa peço aos deuses que me protejam que perdoem a minha insaciável vontade de olhar através do espelho de minha alma lúgubre.
E antes que a lua argentina invada meu peito nu, desarvorada eu peço sim.
Roberto Pittas, POA, 11/5/2008 05:03
Um encontro, nem sei ao certo. Só sei que me sinto sozinha em meu antro, quarto escuro, sobrevivendo de migalhas da vida que ainda me resta com os ratos a passarem céleres por dentre minha alma suplicante de desejos vãos.
Nem sei ao certo o que faço aqui. Apenas percebo que nas sombras encontro-me comigo mesma. Dilacerada procuro ansiosamente o término da cruz que carrego sem saber ao certo o porquê. E por entre abismos sem fim procuro incessantemente a razão de ser.
Ouso aventurar-me no silêncio da multidão solitária que me invade e corrói-me por inteira. Almejo o que nunca conseguirei alçar as alturas, navegar célere por dentre nuvens, flocos de neve a pairar por dentre meus olhares lânguidos.
O tempo urge e nada mais posso fazer a não ser naufragar num oceano sem fim, capitã duma nave tresloucada e, alienada, pedindo paz. Ainda temerosa peço aos deuses que me protejam que perdoem a minha insaciável vontade de olhar através do espelho de minha alma lúgubre.
E antes que a lua argentina invada meu peito nu, desarvorada eu peço sim.
Roberto Pittas, POA, 11/5/2008 05:03
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