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segunda-feira, 12 de maio de 2008

Um Encontro

Um Encontro

Um encontro, nem sei ao certo. Só sei que me sinto sozinha em meu antro, quarto escuro, sobrevivendo de migalhas da vida que ainda me resta com os ratos a passarem céleres por dentre minha alma suplicante de desejos vãos.
Nem sei ao certo o que faço aqui. Apenas percebo que nas sombras encontro-me comigo mesma. Dilacerada procuro ansiosamente o término da cruz que carrego sem saber ao certo o porquê. E por entre abismos sem fim procuro incessantemente a razão de ser.
Ouso aventurar-me no silêncio da multidão solitária que me invade e corrói-me por inteira. Almejo o que nunca conseguirei alçar as alturas, navegar célere por dentre nuvens, flocos de neve a pairar por dentre meus olhares lânguidos.
O tempo urge e nada mais posso fazer a não ser naufragar num oceano sem fim, capitã duma nave tresloucada e, alienada, pedindo paz. Ainda temerosa peço aos deuses que me protejam que perdoem a minha insaciável vontade de olhar através do espelho de minha alma lúgubre.
E antes que a lua argentina invada meu peito nu, desarvorada eu peço sim.

Roberto Pittas, POA, 11/5/2008 05:03

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