Suburbano Coração
Suburbano coração. Por qual alhures te concebestes e em que ardil ousas penetrar. O sol malevolente trepida freneticamente e tu acompanhas solerte este seu gingado cálido. Lúgubre navega por dentre vielas, becos desnutridos ou não e teus olhares enviesados, ora lancinantes aventuram-se em desvendar o que há de mais inócuo nestes paradeiros. Em passos largos, decididos, meu coração dantes tão plácido agora bate, pulula sofregamente em meu peito num sei que de objetos vazios, sentimentos, emoções vazias, inertes.
Só, meu coração bate, retruca, reclama e eu, ah, e eu não dou ouvidos e a passos decididos sigo em frente. Mas sigo para onde, nem sei eu ao certo, somente sei que sigo adiante e só meu coração a pulsar loucamente é que me conduzirá ao destino que tanto anseio. Um labirinto de emoções, sensações, fantasmas que ainda tentam assombrar o que me resta de minhas memórias é onde me encontro. Alucinado persigo por dentre as moitas de vegetação baixa a saída deste meu cadafalso. A miséria, a sujeira, a desnutrição ao meu redor repugnam-me – para – isso é gente, isto sim fruto desta podridão que nos cercam. E meu triste coração dispara ao ver tamanha miséria, um ataque cardíaco se aproxima – emergência, massagem, boca-a-boca, desfibrilador.
E, enfim, meu suburbano coração chega ao seu ápice, ou queda – como bem quiserem – da sua roda da vida que estava traçada desde seu nascimento.
Roberto Pittas, POA, 22/12/2007 23:16
segunda-feira, 12 de maio de 2008
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário