A Esmo
Ao largo da vida
Espreita a ave barroca
Esfinge rapina
A bicar num sem fim
Minhas entranhas
Blasfêmias
Que regurgitam póstumas
De minha garganta árida
Ávidas sentenças
Da morte que se prenuncia
Num hiato, espasmo
De vida
Algoz de mim mesmo...
Roberto Pittas, POA, 03/08/1998.
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
Capitu, inspirada em Capitu do livro Dom Casmurro - Machado de Assis
Capitu – Machado de Assis
Oh! Flor do céu! Ah, flor cândida e pura!
Que na bruma suave do amanhecer
Embala docemente meus sonhares
Em seguida retirando-se por completo.
Oh! Flor, divina flor!
Enquanto invade-me com seu perfume
Num mesmo átimo de tempo
Paralisa-me por inteiro.
Oh! Maldita flor!
Que me seduzindo por inteiro
Deixa-me marcas profundas em meu peito nu.
Oh! Flor, lâmina afiada!
Não me abandones mais,
Pois perder-se a vida, ganha-se a batalha!
Roberto Pittas, POA, 2009-05-16 06:20
Oh! Flor do céu! Ah, flor cândida e pura!
Que na bruma suave do amanhecer
Embala docemente meus sonhares
Em seguida retirando-se por completo.
Oh! Flor, divina flor!
Enquanto invade-me com seu perfume
Num mesmo átimo de tempo
Paralisa-me por inteiro.
Oh! Maldita flor!
Que me seduzindo por inteiro
Deixa-me marcas profundas em meu peito nu.
Oh! Flor, lâmina afiada!
Não me abandones mais,
Pois perder-se a vida, ganha-se a batalha!
Roberto Pittas, POA, 2009-05-16 06:20
Criação de um Personagem
Criação de um Personagem
Meu nome, perdido entre as sombras da vida, Raimunda da Silva. Nasci onde nem as mais tenras lembranças fazem-me recordar.
Nasci chorando, mas não como todos, pelo ato de nascer, mas sim pela pujança e avidez que tinha em ser expulsa e exposta ao mundo com toda minha doce fragilidade de cristal corroído pelo tempo.
Cresci em meio a valões, cheiro azedo da vida. Eu via-me assim, de pés descalços, subindo, descendo ladeiras, pulando valões entre os casebres que sonhava serem palácios.
Ainda tenra em minha carne que um homem, de quem o nome pouco importa, foi se com os tempos idos ao ser violentada. Volto para casa, esmaecida em lágrimas que não conseguia deter. Meu pais perguntam-me o que houve. Nada digo, vermelha de vergonha e medo escondo-me em meu quartinho dividido com meus quatro irmãos.
Saio, fujo da família, de mim mesma e só sei que, à margem da vida, enfim vou encontrar-me, eu algoz de mim mesma.
Roberto Pittas, POA, 2009-05-22 18:42
Meu nome, perdido entre as sombras da vida, Raimunda da Silva. Nasci onde nem as mais tenras lembranças fazem-me recordar.
Nasci chorando, mas não como todos, pelo ato de nascer, mas sim pela pujança e avidez que tinha em ser expulsa e exposta ao mundo com toda minha doce fragilidade de cristal corroído pelo tempo.
Cresci em meio a valões, cheiro azedo da vida. Eu via-me assim, de pés descalços, subindo, descendo ladeiras, pulando valões entre os casebres que sonhava serem palácios.
Ainda tenra em minha carne que um homem, de quem o nome pouco importa, foi se com os tempos idos ao ser violentada. Volto para casa, esmaecida em lágrimas que não conseguia deter. Meu pais perguntam-me o que houve. Nada digo, vermelha de vergonha e medo escondo-me em meu quartinho dividido com meus quatro irmãos.
Saio, fujo da família, de mim mesma e só sei que, à margem da vida, enfim vou encontrar-me, eu algoz de mim mesma.
Roberto Pittas, POA, 2009-05-22 18:42
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